Já faz um tempo que não posto no blog, é verdade, mas inicialmente ele surgiu como forma de compartilhar principalmente a minha pequena aventura na Shaara, uma vez cumprido seu propósito...
Bem mas retomo as postagens por conta de um assunto que muito despertou meu interesse nos últimos meses: a nova Yamaha Ténéré 250.
É impressionante a ansiedade que o mercado, através dos meios de comunicação, aguardou ansioso o lançamento dessa nova concorrente da tão nova e já consagrada Honda XRE300, ansiedade da qual eu compartilhei é claro. Mas eis que vem a Yamaha e coloca no mercado com toda a pompa e mistérios pré-lançamento... uma Lander com vestido de estrada. Só.
Assim como eu a maioria dos motociclistas que conheço viu a ansiedade ser frustrada pela apresentação de um produto aquém do que esperava. Como um monte de gente deve ter feito li o que pude sobre ela, no começo do mês comprei a revista Motociclismo pra ter a 1ª matéria oficial sobre a bbzinha da família Ténéré, e vi sem muita surpresa que a opinião da revista era a mesma que a nossa: frustração. Como disse a revista no máster test: “ Olha o contra-ataque da Yamaha, o zagueiro despacha, o atacante tira a zaga, limpa o goleiro, olha a chance, chutooooou... na trave!”
A Yamaha inovou com Fazer/Lander principalmente no motor, 249cc injetado, tecnologia embarcada e durabilidade juntas, a Honda demorou mas deu o troco com seu motor de 300cc e desempenho superior. A Yamaha demora mais de um ano pra responder e lança um produto com design inovador, proposta inovadora pra marca nessa faixa de cilindrada, e coloca a mesma alma envelhecida do passado, ainda inferior à concorrente que pretensamente quer desbancar...
Mas o que me chamou atenção e motivou essa postagem foi a matéria sobre a mesma moto feita pela revista Duas Rodas que comprei ontem. Parece que as duas revistas falam de motos diferentes tal a disparidade entre as opiniões. Na Duas Rodas só elogios e se eu tivesse lido apenas ela corria pra concessionária hoje mesmo!
Fica aí os meus parabéns à Motociclismo e sua imparcialidade, ao teste completo e comparação justa com as concorrentes, inclusive as da própria Yamaha, XTZ250X e Lander que continuam em linha, demonstrando em medições claras que a novíssima Ténéré 250 perde pra irmãzinha Lander em aceleração, retomada, velocidade final e consumo, ganhando apenas em distância de frenagem. Bola fora da Duas Rodas que "estimou" a vitória da Ténéré em todos os aspectos.
Mas enfim... esse é o nosso mercado e essa a visão que as gigantes japonesas têm de nós não é?
Um espaço pra divagar, sobre viagens de moto, sobre lugares, pensamentos soltos, sobre Deus e sobre motos.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Mototerapia
Claro que o nome desse blog causou estranheza e muita gente me perguntou o porquê de Cura no Caminho, a curiosidade é normal mas não esperava tanto, então vou tentar explicar rapidamente.
Quem é motociclista já ouviu em algum momento alguém usar o termo mototerapia ou apenas dizer que andar de moto faz bem, eu confesso que quando estou de bobeira adoro andar de moto, quando estou meio estressado também e justamente por quê isso me faz bem, dá uma espairecida, leva os pensamentos pra outra direção, outro foco, e isso ajuda a simplesmente reorganizar, aterrizar como diriam alguns. Na verdade a mistura de sensações proporcionada pela motocicleta em determinados momentos se assemelham a uma terapia mesmo, aquela sessão onde você não expõe os seus sentimentos mas deixa eles fluírem enquanto ouve alguém falar, ouve uma música, assiste um bom filme mas, indo além, a moto alia a isso a descarga de adrenalina, de emoção proporcionada pelo movimento dependente das leis da física que nos mantém em equilíbrio sobre as duas rodas, somadas logicamente à necessidade de controle sobre a máquina, uma máquina que dita os seus limites tão longe quanto os limites do próprio piloto. E isso é um momento de concentração mas também de descontração, enquanto concentra-se na máquina e no movimento, desconcentra-se dos problemas, das preocupações. É como se a vida em seu cotidiano desse uma pausa em respeito ao controle da máquina, e em troca tem um momento de introspecção e reflexão capazes de realimentar as baterias para o dia a dia.
De cura todos precisamos, o tempo todo. Seja no corpo, seja na alma. Naquele um tanto, nessa quase sempre mais. Naquele toma remédio e acaba se adaptando, nessa ou se enfrenta e cura ou se deixa de viver. Às vezes nossos caminhos nos levam a dores que nos incomodam, mas eles também estão nos levando a curas das quais precisamos, as vezes pra concertar um defeito é necessário quebrar de novo o que foi mal curado, as vezes o caminho que trilhamos e que parece ser de dor está nos levando a uma cura maior, cura de que as vezes nem temos consciência de precisar.
O caminho da cura é o caminho que trilhamos em nossa vida. E alguns felizardos como eu o fazem, pelo menos em parte, em cima de uma moto.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
A viagem – providências
Como alguns amigos perguntaram acho que vale descrever os preparativos e as providências que tomei para a viagem, não tenho muita experiência mas li bastante coisa na net em blogs de outros companheiros de estrada, e tomei alguns cuidados na hora de preparar as coisas pra pegar estrada, torcendo pra tudo dar certo... e deu, graças a Deus!
A primeira providência óbvia foi submeter a moto a avaliação de um mecânico pra saber as condições, e revisar o que fosse necessário. A Sahara me surpreendeu nesse aspecto, JC obrigado por ter cuidado tão bem dela, foi necessário a troca dos rolamentos da roda traseira, engraxamento da suspensão traseira, lubrificação dos cabos de acelerador e embreagem já que aparentavam estar muito bons, troca de óleo e filtro, verificação dos freios, troquei o pneu dianteiro que estava no osso já, o traseiro é um Michelin sirac meia vida então fui tranqüilo. Falando deles mandei aplicar a vacina de pneus, como precaução extra ainda levei um spray reparador de pneus que enche dois pneus e promete reparar o furo enquanto enche. O recomendado seria ter levado duas câmeras e as ferramentas necessárias pra realizar a troca emergencial, assim como cabos extras de acelerador e embreagem mas não tive problemas com isso durante o trajeto.
Falando das ferramentas levei o kit original da moto, mais chaves das mesmas medidas e de qualidade melhor, alicates, chaves Allen, lanterna, fita isolante, canivete, tesoura, chaves fenda e Philips, lubrificante pra corrente de transmissão, e uma garrafinha com óleo de motor pra completar no caminho. Motores consomem óleo, é bom lembrar...
Pra bagagem comprei na general, centro de SP, uma mochila grande qu não é totalmente impermeável mas vem com uma prática capa de chuva escondida na parte de baixo, coube todas as minha trocas de roupa e sobrou espaço pra mais umas tralhas. Coloquei o bauleto no bagageiro da Sahara pra levar ferramentas, capa de chuva, luva, balaclava, o netbook muito bem acondicionado, mais uma ou outra coisinha que faltou. A câmera fotográfica, óculos e carteira foram devidamente acondicionados em uma prática mala de tanque improvisada, ao ver os 250 pedidos por uma nas lojas, as mulheres da minha vida deram um jeito rápido, rsrs, lancheira de criança, não é 100% impermeável mas dá um adianto, elásticos largos, 4 ganchos da aranha de prender capacete, silicone na parte interna das costuras, e uma touca de hidratação de cabeleireira, ela é de um plástico resistente e transparente, pra envolver a bolsa em caso de chuva. Custo total de 35 reais.
Infelizmente não posso atestar a impermeabilidade já que não peguei uma gota de chuvas nos 9 dias de viagem, mas a praticidade ficou 100%, principalmente na hora dos abastecimentos e tirar as fotos na estrada!
A roupa consistiu na velha e surrada calça jeans, uma calça de lã pra usar por baixo, camiseta leve, uma blusa de lã justa, uma blusa de agasalho tb justa e a jaqueta semi-impermeável da HLX com proteções que tenho, não é uma Tutto mas já me livrou em uma queda. Luva impermeável e bota da Quechua, é uma de trakking impermeável, não muito cara e muito confortável.
O roteiro é parte importante, mas como ia pra casa de parentes e amigos não dei muita atenção a isso antes. Em caso de ir pra lugares que não conheço com certeza esse vai ser dos detalhes mais importantes da preparação.
Como lembrado pelo meu amigo JC faltaram os protetores auriculares que minimizariam o barulho de vento, mas lembrar de todos os detalhes é difícil e esse fica pra próxima!
A primeira providência óbvia foi submeter a moto a avaliação de um mecânico pra saber as condições, e revisar o que fosse necessário. A Sahara me surpreendeu nesse aspecto, JC obrigado por ter cuidado tão bem dela, foi necessário a troca dos rolamentos da roda traseira, engraxamento da suspensão traseira, lubrificação dos cabos de acelerador e embreagem já que aparentavam estar muito bons, troca de óleo e filtro, verificação dos freios, troquei o pneu dianteiro que estava no osso já, o traseiro é um Michelin sirac meia vida então fui tranqüilo. Falando deles mandei aplicar a vacina de pneus, como precaução extra ainda levei um spray reparador de pneus que enche dois pneus e promete reparar o furo enquanto enche. O recomendado seria ter levado duas câmeras e as ferramentas necessárias pra realizar a troca emergencial, assim como cabos extras de acelerador e embreagem mas não tive problemas com isso durante o trajeto.
Falando das ferramentas levei o kit original da moto, mais chaves das mesmas medidas e de qualidade melhor, alicates, chaves Allen, lanterna, fita isolante, canivete, tesoura, chaves fenda e Philips, lubrificante pra corrente de transmissão, e uma garrafinha com óleo de motor pra completar no caminho. Motores consomem óleo, é bom lembrar...
Pra bagagem comprei na general, centro de SP, uma mochila grande qu não é totalmente impermeável mas vem com uma prática capa de chuva escondida na parte de baixo, coube todas as minha trocas de roupa e sobrou espaço pra mais umas tralhas. Coloquei o bauleto no bagageiro da Sahara pra levar ferramentas, capa de chuva, luva, balaclava, o netbook muito bem acondicionado, mais uma ou outra coisinha que faltou. A câmera fotográfica, óculos e carteira foram devidamente acondicionados em uma prática mala de tanque improvisada, ao ver os 250 pedidos por uma nas lojas, as mulheres da minha vida deram um jeito rápido, rsrs, lancheira de criança, não é 100% impermeável mas dá um adianto, elásticos largos, 4 ganchos da aranha de prender capacete, silicone na parte interna das costuras, e uma touca de hidratação de cabeleireira, ela é de um plástico resistente e transparente, pra envolver a bolsa em caso de chuva. Custo total de 35 reais.
Infelizmente não posso atestar a impermeabilidade já que não peguei uma gota de chuvas nos 9 dias de viagem, mas a praticidade ficou 100%, principalmente na hora dos abastecimentos e tirar as fotos na estrada!A roupa consistiu na velha e surrada calça jeans, uma calça de lã pra usar por baixo, camiseta leve, uma blusa de lã justa, uma blusa de agasalho tb justa e a jaqueta semi-impermeável da HLX com proteções que tenho, não é uma Tutto mas já me livrou em uma queda. Luva impermeável e bota da Quechua, é uma de trakking impermeável, não muito cara e muito confortável.
O roteiro é parte importante, mas como ia pra casa de parentes e amigos não dei muita atenção a isso antes. Em caso de ir pra lugares que não conheço com certeza esse vai ser dos detalhes mais importantes da preparação.
Como lembrado pelo meu amigo JC faltaram os protetores auriculares que minimizariam o barulho de vento, mas lembrar de todos os detalhes é difícil e esse fica pra próxima!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A moto (2ª parte)
Agora sim, de volta a vida, a realidade. Faculdade, trabalho, dia-a-dia, meu baby no fim de semana, namorada e, claro, a igreja. Sem ela não dá pra ficar, é lá que me sinto mais perto do Pai no sentido de esforço meu em buscá-lo.
Já um tanto recuperado do cansaço, mas ainda inebriado pela realização, me dispus a contabilizar a viagem, foram exatos 3.172km percorridos, 145 litros de gasolina que somaram R$ 371,00 e 2l de óleo de motor por R$ 24,00 no interior de Minas, a Sahara fez média de 21,76 km/l, o que foi um bom consumo se considerar que mantive velocidade de cruzeiro entre 110 e 120 km/h a maior parte do caminho. Claro que somei apenas os gastos da moto e não os meus próprios, esses devem ter ficado em torno de R$ 100,00 durante o trajeto com alimentação e os pedágios da Fernão Dias (55 centavos cada...), com certeza não passou disso já que não dormi na estrada em nenhum momento e isso eliminou os gastos com hospedagem.
Analisando mais calmamente, a Sahara demonstrou ser uma escolha bem acertada para a proposta que eu tenho de uso, dia-a-dia na cidade e algumas viagens de vez enquanto sem me preocupar muito com o terreno, uma moto com esse perfil, que fosse acessível pra comprar e manter realmente é difícil e não se tem muitas opções, optei por ela e não me arrependi em nada.
Paguei barato, é uma moto muito robusta, dá pra manter no cotidiano sem muitos problemas e atende perfeitamente a minha necessidade. Claro que estando a 130km/h na BR-040 sem nenhum carro à vista, retas longas sucedidas por curvas suaves e num asfalto muito bom me deram muita vontade estar com uma moto maior, com mais motor, mas ela me surpreendeu pelo bom desempenho aliado ao consumo satisfatório para a idade e tecnologia antiga. Algumas coisas decepcionaram também, a proteção aerodinâmica oferecida pela carenagem é boa a ponto de ser possível soltar uma das mãos do guidão a 120km/h sem o menor perigo, mas a bolha pequena joga todo o vento em cima do capacete e, como o meu não é um bom modelo, o barulho do vento torna-se extremamente incômodo depois de poucos quilômetros.
A estabilidade dela também surpreende, permite uma tocada forte pra categoria dela com total segurança, nas curvas da BH-Vitória sofri bastante por conta do asfalto muito irregular e as curvas muito fechadas e sucessivas, que deixavam a impressão de suspensão mole demais e que ia sair da curva a qualquer momento, mas confesso que o desconhecimento da estrada somado à minha pouca habilidade em pilotagem ajudaram a encontrar o meu limite muito antes do limite da moto. Melhor pra mim que me mantive inteiro até a volta! Os sustos foram apenas dois: em uma dessas curvas com a moto bem deitada e quase me sentindo um piloto, apesar da baixa velocidade a curva era fechada e bem longa exigindo muita inclinação, dei de cara com dois caminhões lado a lado no meio de uma ultrapassagem, em local proibido claro, impedindo completamente minha passagem, foi o tempo de endireitar a moto e frear, e haja paciência até o bendito caminhão terminar de ultrapassar a carreta em pela subida pra eu continuar o caminho. O outro foi durante a mesma subida de serra, um tiozinho num corsa pressionado pelo farol alto do cara de trás resolveu dar passagem sem notar que eu estava na pista ao lado, freio, buzina e o susto do tiozinho. Graças a Deus nada demais!
Já um tanto recuperado do cansaço, mas ainda inebriado pela realização, me dispus a contabilizar a viagem, foram exatos 3.172km percorridos, 145 litros de gasolina que somaram R$ 371,00 e 2l de óleo de motor por R$ 24,00 no interior de Minas, a Sahara fez média de 21,76 km/l, o que foi um bom consumo se considerar que mantive velocidade de cruzeiro entre 110 e 120 km/h a maior parte do caminho. Claro que somei apenas os gastos da moto e não os meus próprios, esses devem ter ficado em torno de R$ 100,00 durante o trajeto com alimentação e os pedágios da Fernão Dias (55 centavos cada...), com certeza não passou disso já que não dormi na estrada em nenhum momento e isso eliminou os gastos com hospedagem.
Analisando mais calmamente, a Sahara demonstrou ser uma escolha bem acertada para a proposta que eu tenho de uso, dia-a-dia na cidade e algumas viagens de vez enquanto sem me preocupar muito com o terreno, uma moto com esse perfil, que fosse acessível pra comprar e manter realmente é difícil e não se tem muitas opções, optei por ela e não me arrependi em nada.
Paguei barato, é uma moto muito robusta, dá pra manter no cotidiano sem muitos problemas e atende perfeitamente a minha necessidade. Claro que estando a 130km/h na BR-040 sem nenhum carro à vista, retas longas sucedidas por curvas suaves e num asfalto muito bom me deram muita vontade estar com uma moto maior, com mais motor, mas ela me surpreendeu pelo bom desempenho aliado ao consumo satisfatório para a idade e tecnologia antiga. Algumas coisas decepcionaram também, a proteção aerodinâmica oferecida pela carenagem é boa a ponto de ser possível soltar uma das mãos do guidão a 120km/h sem o menor perigo, mas a bolha pequena joga todo o vento em cima do capacete e, como o meu não é um bom modelo, o barulho do vento torna-se extremamente incômodo depois de poucos quilômetros.A estabilidade dela também surpreende, permite uma tocada forte pra categoria dela com total segurança, nas curvas da BH-Vitória sofri bastante por conta do asfalto muito irregular e as curvas muito fechadas e sucessivas, que deixavam a impressão de suspensão mole demais e que ia sair da curva a qualquer momento, mas confesso que o desconhecimento da estrada somado à minha pouca habilidade em pilotagem ajudaram a encontrar o meu limite muito antes do limite da moto. Melhor pra mim que me mantive inteiro até a volta! Os sustos foram apenas dois: em uma dessas curvas com a moto bem deitada e quase me sentindo um piloto, apesar da baixa velocidade a curva era fechada e bem longa exigindo muita inclinação, dei de cara com dois caminhões lado a lado no meio de uma ultrapassagem, em local proibido claro, impedindo completamente minha passagem, foi o tempo de endireitar a moto e frear, e haja paciência até o bendito caminhão terminar de ultrapassar a carreta em pela subida pra eu continuar o caminho. O outro foi durante a mesma subida de serra, um tiozinho num corsa pressionado pelo farol alto do cara de trás resolveu dar passagem sem notar que eu estava na pista ao lado, freio, buzina e o susto do tiozinho. Graças a Deus nada demais!
domingo, 8 de agosto de 2010
De Goiânia a SBC - 3º dia - A volta
Depois de três dias passeando entre Anápolis e Goiânia, revendo os amigos de tanto tempo, os irmãos de coração que a vida me deu e os lugares que não via há muito, chegou a hora de voltar pra casa.
Acordei as 5:30, uma hora depois do planejado, tomei um suco de açaí no lugar do café, energia pra aumentar as reservas do que precisaria, despedidas e abraços, a promessa de uma nova aventura acompanhados dos meus irmãos goianos, e entrei na BR-153 sentido São Paulo, exatamente as 6 da manhã, o dia clareando pouco antes do sol nascer, o frio já anunciado na madrugada me obrigou a usar mais blusas do que gostaria mas a estrada estava boa e o visual foi suficiente pra desviar minha atenção do vento gelado.
Ver o sol nascer na estrada é uma sensação única, ainda mais nas planícies de Goiás, o colorido das nuvens, a claridade cintilante do céu, a interação da paisagem de vegetação rala, tudo isso passa uma impressão que não tem como descrever com justiça. Claro que cliquei na melhor das boas intenções de capturar o momento, mas o resultado da foto também não fez jus à natureza
Pretendia chegar em casa o quanto antes, já era o 8º dia da viagem, e pra isso mantive um ritmo bom enquanto durou a pista dupla, .
até a divisa GO-MG foi tranquilo, mas cerca de 100km antes de Uberlândia a estrada não só era mão dupla como era ruim a beça, sem acostamento e em obras, o que diminuiu bastante a velocidade média, mas depois voltou a ser duplicada e deu pra manter os 110km/h a maior parte do tempo.

Na divisa MG-SP um dos melhores visuais da viagem, o Rio Grande, de águas azuis parece que ainda livre da poluição, aí entra a Anhanguera e o caminho fica bem tranquilo, demais até, com retas intermináveis e ótima velocidade de cruzeiro, 120km/h na maior parte do tempo com abusos um pouco acima de vez enquando. Aos 500km rodados parei por cerca de uma hora pra almoçar, eram 13hs, as 14 voltei pra estrada na intenção de chegar em casa sem parar novamente a não ser pra abastecer. Por falar nisso o tanque da sahara é uma coisa q me deixou descontente, pede reserva aos 200km rodados e mesmo sabendo que ainda tem uns 3 litros lá não me sinto confortável em rodar com a reserva aberta, o resultado é que abasteci a cada 200km a viagem toda, bem podia ter uma autonomia maior...
Já anoitecendo faltavam ainda mais de 100km, os últimos 100, acabei apertando o ritmo na Bandeirantes e quando percebi estava dando 140km/h na sarita. Cheguei em casa as 7 da noite, depois de 13hs na estrada e 980km rodados, muito cansado e com o corpo dolorido, mas a sensação de chegar em casa depois de 8 dias e 3200km no total é indescritível, a realização é ótima e o desafio vencido faz muito bem pra auto estima!
Durante o caminho de volta não pude deixar de me lembrar do meu irmão Luis, infelizmente já longe de nós há 2 anos, desde que nos mudamos de Goias pra cá ele queria fazer essa viagem, Sp-Goiania, de moto. Não tivemos oportunidade de fazer isso juntos, n foram os motivos mas o principal acho que foi por acharmos que teríamos todo o tempo do mundo pra isso. Não tivemos. Mas essa foi por você mano, tenho certeza que teve uma permissão especial pra me acompanhar pelo menos essa parte do caminho, não foi?
Acordei as 5:30, uma hora depois do planejado, tomei um suco de açaí no lugar do café, energia pra aumentar as reservas do que precisaria, despedidas e abraços, a promessa de uma nova aventura acompanhados dos meus irmãos goianos, e entrei na BR-153 sentido São Paulo, exatamente as 6 da manhã, o dia clareando pouco antes do sol nascer, o frio já anunciado na madrugada me obrigou a usar mais blusas do que gostaria mas a estrada estava boa e o visual foi suficiente pra desviar minha atenção do vento gelado.
Ver o sol nascer na estrada é uma sensação única, ainda mais nas planícies de Goiás, o colorido das nuvens, a claridade cintilante do céu, a interação da paisagem de vegetação rala, tudo isso passa uma impressão que não tem como descrever com justiça. Claro que cliquei na melhor das boas intenções de capturar o momento, mas o resultado da foto também não fez jus à natureza
Pretendia chegar em casa o quanto antes, já era o 8º dia da viagem, e pra isso mantive um ritmo bom enquanto durou a pista dupla, .
Na divisa MG-SP um dos melhores visuais da viagem, o Rio Grande, de águas azuis parece que ainda livre da poluição, aí entra a Anhanguera e o caminho fica bem tranquilo, demais até, com retas intermináveis e ótima velocidade de cruzeiro, 120km/h na maior parte do tempo com abusos um pouco acima de vez enquando. Aos 500km rodados parei por cerca de uma hora pra almoçar, eram 13hs, as 14 voltei pra estrada na intenção de chegar em casa sem parar novamente a não ser pra abastecer. Por falar nisso o tanque da sahara é uma coisa q me deixou descontente, pede reserva aos 200km rodados e mesmo sabendo que ainda tem uns 3 litros lá não me sinto confortável em rodar com a reserva aberta, o resultado é que abasteci a cada 200km a viagem toda, bem podia ter uma autonomia maior...
Já anoitecendo faltavam ainda mais de 100km, os últimos 100, acabei apertando o ritmo na Bandeirantes e quando percebi estava dando 140km/h na sarita. Cheguei em casa as 7 da noite, depois de 13hs na estrada e 980km rodados, muito cansado e com o corpo dolorido, mas a sensação de chegar em casa depois de 8 dias e 3200km no total é indescritível, a realização é ótima e o desafio vencido faz muito bem pra auto estima!
Durante o caminho de volta não pude deixar de me lembrar do meu irmão Luis, infelizmente já longe de nós há 2 anos, desde que nos mudamos de Goias pra cá ele queria fazer essa viagem, Sp-Goiania, de moto. Não tivemos oportunidade de fazer isso juntos, n foram os motivos mas o principal acho que foi por acharmos que teríamos todo o tempo do mundo pra isso. Não tivemos. Mas essa foi por você mano, tenho certeza que teve uma permissão especial pra me acompanhar pelo menos essa parte do caminho, não foi?
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
De Cel. Fabriciano a Anápolis - 2º dia
As 6:45 da manhã e 60km rodados fiquei preso no trânsito parado antes mesmo de chegar na 381 que vem de Vitória a BH, dois caminhões bateram e a pista foi interrompida até removerem a carga e a carreta, nem moto passou por mais de 1h. Já atrasado só cheguei em BH as 10 da manhã, durante boa parte do tempo acompanhando uma Buel que tinha um dono bem tranquilo, apesar do monte de curvas instigarem a pilotagem, tb dão medo pela quantidade de caminhões e nosso ritmo ficou igual...
Abasteci e enveredei pela 040 sentido Brasília, é impressionante como a paisagem muda logo no início dela e o clima do planalto com a vegetação mais próxima de serrado aparece. A tranquilidade veio logo depois dos primeiros 100km da 040, com a perda da duplicação, mas uma diminuição drástica do número de veículos! Teve trecho onde fiquei mais de 20min sem passar por ngm a não ser em sentido contrário.
Mas a solidão tem seu encanto e me senti meio easy rider naquela estrada, destino tinha mas ali era só a estrada, o sol, o vento quente finalmente, e a Sahara guerreira mostrando do que é capaz! Falando nela preciso me retratar, ela é ótima pra estrada sim e em curvas normais ela não deixa nada a dever, as minhas impressões do outro post foram baseadas na estradinha de BH-Vitória e até o povo lá de Fabriciano reclama muito dela, as curvas são coisa de doido mesmo! rs
As paisagens desse trecho são lindas, mas acabei de novo curtindo mais a viagem do que elas e tirei poucas fotos, ainda assim o visual é tão compensador quanto a solidão e o sentimento de aventura que a 040 proporciona. Por duas vezes abasteci a moto já com a reserva aberta por falta de posto de combustível, na última vez rodei exatos 100km entre os dois postos mais próximos, e abri a reserva na metade! Essa hora deu medo de ficar na estrada. Aos 500km rodados parei pra trocar o óleo da moto, somavam 1300 desde a última troca, e almocei já que ia perder um bom tempo pra isso. Comida tipicamente mineira com self direto no fogão de lenha... delícia. As 6 da tarde em Cristalina-GO parando pra abastecer não resisti e comi uma pamonha de verdade, goiana, doce com queijo dentro, ah que saudade estava disso!
Cheguei em Luziânia estava escuro e ainda faltavam 200km, resolvi continuar já que a estrada era boa e depois de passar ao largo de Brasília peguei a 060 e as 9 da noite desliguei a moto na casa de uma amiga em Anápolis, de onde estou postando, foram 15hs e 1051km.
Pra mim um recorde em distancia e tempo, quebrado sem muito esforço já que a Sahara é generosa com o piloto!
O cansaço não foi tão grande, depois de colocar a conversa em dia e tomar um bom banho deu tempo de vir pra net ver os e-mails e fuçar no meu orkut só pra não perder o costume, mas o zunido do vento ainda nos ouvidos tava incomodando o suficiente pra não me deixar atualizar o blog. Fui dormir cansado, ombros e pescoço doloridos, mas com a alma alegre, com a sensação da aventura ainda na mente, uma leve descrença de que estava mesmo aqui, mas feliz pela realização de mais esse sonho..
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
De SBC a Cel. Fabriciano - 1º dia
Só hoje consegui um tempo pra procurar uma lan e postar aqui as impressões da viagem, o fds foi todo pra dar atenção aos parentes que não via há décadas!
Saí de casa as 6 da manhã de sexta, depois de ter feito o último post e verificado tudo na bagagem fui dormir as 2:30 com o celular programado pra despertar as 4:30, a ansiedade me roubou o sono...
O odômetro marcava 77.364km, parti pra minha pequena aventura sem mapas e sem rotas turísticas, enchi o tanque e peguei a Fernão Dias sentido Belo Horizonte, primeiros quilômetros cheios de ansiedade ainda, com o coração batendo no ritimo do ciclo Otto, e o vento fazendo música nos meus ouvidos ao entrar pelo capacete barato.
Depois de algum tempo as coisas começam a voltar ao normal com o vento que era música virando barulho, o coração volta a ditar o fluxo sanguíneo apenas e os pensamentos se ordenam, passando a viajar nas sensações, apreciando e analisando ao mesmo tempo.
A sensação de liberdade associada ao clima de aventura, tudo emoldurado pela solidão de uma viagem solo, deixam o espírito enaltecido pela realização. A estrada à frente, o dia amanhecendo com a perspectiva de muitos quilômetros à frente, o motor da moto num ritmo uniforme, o friozinho da manhã desmentindo o aparente calor do sol... todas essas são sensações difíceis de descrever, mas sentidas com muita intensidade por mim no começo da pequena aventura.
Aos 203km parei por meia hora pra abastecer e tomar café, nesse trecho foram 23km/l, estrada vazia e pegando o jeito ainda, parei novamente depois de mais 200km e aí foram 19km/l pois apertei o ritmo e mantive 120km/h quase o tempo todo, foram uns 40min gastos no abastecimento (já com a reserva aberta), uns 50ml de óleo no motor, lubrificar a corrente, e tomar café prozeando com um senhor muito simpático que estava indo pra BH numa M1500. Diminuí no último trecho pra só abastecer em BH e ela fez 22, abasteci e almocei perdendo cerca de 1h, o último trecho de BH pra Fabriciano me surpreendeu, foram 220km de muita curva, serras e caminhões, a moto fez 25km/l por conta da baixa velocidade, mas as curvas são emocionantes e deixam o trecho muito perigoso, gastei exatas 3hs nesses 220km.
Depois de 12 hs e 839 km percorridos, posso dizer que a Sahara é boa pra estrada. Só boa. Ela não se sai tão bem em curvas como seria ideal, e em trecho sinuoso uma fazer se saia melhor a ponto de eu não conseguir acompanhar. A frente dela oscila muito fácil em piso irregular quando está inclinada e as suspensões maravilhosas pra conforto ficam moles demais dentro da curva, apesar de suportar uma ótima inclinação isso passa insegurança. Mas ela se sai muito bem, cruzeiro de 110 na Fernão dias, mas dá pra ir a 120 tranquilamente com uma folga pra ultrapassar, fui até 145km/h em alguns momentos apenas pra sentir a moto e ela foi, com certo esforço mas foi.
As 18:30 estava tomando um café na casa dos meus tios em Fabriciano, cansado mas de alma lavada como dizem! O primeiro destino e eu estava lá!
Saí de casa as 6 da manhã de sexta, depois de ter feito o último post e verificado tudo na bagagem fui dormir as 2:30 com o celular programado pra despertar as 4:30, a ansiedade me roubou o sono...
O odômetro marcava 77.364km, parti pra minha pequena aventura sem mapas e sem rotas turísticas, enchi o tanque e peguei a Fernão Dias sentido Belo Horizonte, primeiros quilômetros cheios de ansiedade ainda, com o coração batendo no ritimo do ciclo Otto, e o vento fazendo música nos meus ouvidos ao entrar pelo capacete barato.
A sensação de liberdade associada ao clima de aventura, tudo emoldurado pela solidão de uma viagem solo, deixam o espírito enaltecido pela realização. A estrada à frente, o dia amanhecendo com a perspectiva de muitos quilômetros à frente, o motor da moto num ritmo uniforme, o friozinho da manhã desmentindo o aparente calor do sol... todas essas são sensações difíceis de descrever, mas sentidas com muita intensidade por mim no começo da pequena aventura.
Aos 203km parei por meia hora pra abastecer e tomar café, nesse trecho foram 23km/l, estrada vazia e pegando o jeito ainda, parei novamente depois de mais 200km e aí foram 19km/l pois apertei o ritmo e mantive 120km/h quase o tempo todo, foram uns 40min gastos no abastecimento (já com a reserva aberta), uns 50ml de óleo no motor, lubrificar a corrente, e tomar café prozeando com um senhor muito simpático que estava indo pra BH numa M1500. Diminuí no último trecho pra só abastecer em BH e ela fez 22, abasteci e almocei perdendo cerca de 1h, o último trecho de BH pra Fabriciano me surpreendeu, foram 220km de muita curva, serras e caminhões, a moto fez 25km/l por conta da baixa velocidade, mas as curvas são emocionantes e deixam o trecho muito perigoso, gastei exatas 3hs nesses 220km.
Depois de 12 hs e 839 km percorridos, posso dizer que a Sahara é boa pra estrada. Só boa. Ela não se sai tão bem em curvas como seria ideal, e em trecho sinuoso uma fazer se saia melhor a ponto de eu não conseguir acompanhar. A frente dela oscila muito fácil em piso irregular quando está inclinada e as suspensões maravilhosas pra conforto ficam moles demais dentro da curva, apesar de suportar uma ótima inclinação isso passa insegurança. Mas ela se sai muito bem, cruzeiro de 110 na Fernão dias, mas dá pra ir a 120 tranquilamente com uma folga pra ultrapassar, fui até 145km/h em alguns momentos apenas pra sentir a moto e ela foi, com certo esforço mas foi.
As 18:30 estava tomando um café na casa dos meus tios em Fabriciano, cansado mas de alma lavada como dizem! O primeiro destino e eu estava lá!
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Véspera
É agora, malas prontas, moto revisada, emplacada (caraca tinha me esquecido de pegar o documento e emplacar ela!), celular carregado, vacina aplicada nos pneus (espero não descobrir se funciona...), falta dormir apesar da ansiedade e descansar pra enfrentar os mil e tantos kilômetros amanhã.
O roteiro agora foi definido em função do tempo, quero estar em Fabriciano amanhã, portanto esquece Vitória... vou direto até BH e de lá pra Fabriciano, depois dou um pulo em Caparaó no domingo com algum parente.
Bom é isso, daqui a pouco as 5 da manhã espero estar deixando Bernô City pra trás e ver o amanhecer na estrada, Mg aí vou eu!
O roteiro agora foi definido em função do tempo, quero estar em Fabriciano amanhã, portanto esquece Vitória... vou direto até BH e de lá pra Fabriciano, depois dou um pulo em Caparaó no domingo com algum parente.
Bom é isso, daqui a pouco as 5 da manhã espero estar deixando Bernô City pra trás e ver o amanhecer na estrada, Mg aí vou eu!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Dia do motociclista
Não poderia deixar de comentar algo sobre o dia do motociclista, hoje 27 de julho, já que esse espaço surgiu por causa da moto.
Soube há um tempo do PROJETO DE LEI N.º 7.362, DE 2010 de autoria do Dep. Zarattini, e que trata da redução do valor cobrado dos motociclistas pelo DPVAT, R$ 259,04 contra R$ 93,87 dos automóveis, a disparidade ao meu ver evidencia uma verdadeira discriminação do veículo e por consequência dos cidadãos que dele se utilizam, enquanto vários países no mundo vêem a motocicleta como uma das soluções para problemas de ordem ambiental e significativa redução do trânsito caótico das grandes cidades, nosso país a trata como vilã, tentando solucionar o problema dos acidentes com leis arbitrárias como a da validade do capacete, proibição das motos no corredor, proibição do garupa, tentativas como a de Sp de se colocar no capacete a placa da moto, e onerando os motociclistas com valores absurdos de DPVAT, taxas altas de financiamentos, obrigatoriedade de equipamentos para os quais não há nenhum subsídio, multas pesadas para infrações disparatadas, ausência de política regulamentadora no setor de moto peças que em proporção cobram muito mais caro pelas peças de moto que as de carro...
Em meio a esse mar de imposições que ao longo dos últimos anos vem invadindo a contra gosto a vida dos cidadãos motociclistas, um projeto de lei como esse nos dá esperanças de que ainda podemos ser tratados em primeiro lugar como cidadãos que somos, e em segundo democraticamente como motociclistas, com o Estado entendendo a real importância da motocicleta na economia nacional e criando mecanismos que incentivem o crescimento desse mercado e não o contrário.
Tenho esperança que após esse PL outros venham, que facilitem a nossa vida, nos dêem segurança e que obriguem o Estado a assumir seu papel de oferecer vias públicas transitáveis, segurança, formação decente ao motociclista novato, formação ao motorista que o conscientize da necessidade de respeitar os outros veículos e políticas econômicas que facilitem não só a compra do veículo mas também a manutenção do mesmo.
Resumindo, nesse dia do motociclista eu tenho esperança que chegue o dia em que mesmo estando montado em minha moto, trafegando pela cidade, com o rosto coberto pelo capacete, mesmo assim eu ainda seja visto como o que sou: um cidadão.
Emerson Soares
Cidadão, cristão, motociclista.
Soube há um tempo do PROJETO DE LEI N.º 7.362, DE 2010 de autoria do Dep. Zarattini, e que trata da redução do valor cobrado dos motociclistas pelo DPVAT, R$ 259,04 contra R$ 93,87 dos automóveis, a disparidade ao meu ver evidencia uma verdadeira discriminação do veículo e por consequência dos cidadãos que dele se utilizam, enquanto vários países no mundo vêem a motocicleta como uma das soluções para problemas de ordem ambiental e significativa redução do trânsito caótico das grandes cidades, nosso país a trata como vilã, tentando solucionar o problema dos acidentes com leis arbitrárias como a da validade do capacete, proibição das motos no corredor, proibição do garupa, tentativas como a de Sp de se colocar no capacete a placa da moto, e onerando os motociclistas com valores absurdos de DPVAT, taxas altas de financiamentos, obrigatoriedade de equipamentos para os quais não há nenhum subsídio, multas pesadas para infrações disparatadas, ausência de política regulamentadora no setor de moto peças que em proporção cobram muito mais caro pelas peças de moto que as de carro...
Em meio a esse mar de imposições que ao longo dos últimos anos vem invadindo a contra gosto a vida dos cidadãos motociclistas, um projeto de lei como esse nos dá esperanças de que ainda podemos ser tratados em primeiro lugar como cidadãos que somos, e em segundo democraticamente como motociclistas, com o Estado entendendo a real importância da motocicleta na economia nacional e criando mecanismos que incentivem o crescimento desse mercado e não o contrário.
Tenho esperança que após esse PL outros venham, que facilitem a nossa vida, nos dêem segurança e que obriguem o Estado a assumir seu papel de oferecer vias públicas transitáveis, segurança, formação decente ao motociclista novato, formação ao motorista que o conscientize da necessidade de respeitar os outros veículos e políticas econômicas que facilitem não só a compra do veículo mas também a manutenção do mesmo.
Resumindo, nesse dia do motociclista eu tenho esperança que chegue o dia em que mesmo estando montado em minha moto, trafegando pela cidade, com o rosto coberto pelo capacete, mesmo assim eu ainda seja visto como o que sou: um cidadão.
Emerson Soares
Cidadão, cristão, motociclista.
Revisão
Depois de dois dias no mecânico a Sahara está pronta pra viagem, uma revisão geral com troca de óleo e filtro, um rolamento de roda que estava estourado, troca do balancim da suspensão traseira pra voltar a altura normal, lubrificação dos eixos de roda, cabos, manetes, relação e suspensão traseira, verificação e regulagem dos freios e parte elétrica. O banco deve ficar pronto amanhã, o original é bonito mas conforto não é o forte mesmo! Faltam alguns detalhes ainda, mas agora são só os preparativos finais, o mais importante era a moto e ela já está pronta pra viagem.
Falando na moto, essa é a companheira eleita pra realizar esse sonho, NX 350 Sahara ano 99, nova pra mim mas já bem rodada, está nos 77mil km, mas tem um histórico bom e foi bem cuidada nesse tempo, na revisão foi uma surpresa boa por não ter quase nada pra fazer, espero não ter surpresas ruins na estrada... A escolha da sahara foi meio que pela polivalência do modelo, quem não se surpreende ao ler a avaliação da época do lançamento classificando-a como 3 motos, uma trail, uma urbana e uma estradeira? Claro que como a grande maioria eu preferia ir montado em uma Vstrom ou numa XT660, mas engrosso a massa que tem vontade mas não tem grana e sendo assim, optei pela melhor moto dentro das minhas possibilidades, queria uma trail que pudesse encarar estrada sem medo, mas preciso dela todo dia tb então a escolha óbvia foi a sahara, apesar de velhinha ainda é muito confiável e não tem outra na categoria sem dar um salto astronômico no preço. Depois de alguns meses procurando e vendo várias, essa me escolheu e fui pra São Carlos só pra buscar.
Espero ter ainda muita história pra viver com ela, e quem sabe compartilhar com os amigos virtuais por aqui, e os de sempre pelas estradas afora!
domingo, 25 de julho de 2010
Férias!
Último dia de trabalho, sim... hoje, domingo... prestes a sair e dar adeus ao emprego! Por 15 dias só, claro, trabalhador assalariado é assim mesmo, rs. E pra quem acha que funcionário público não trabalha estou eu aqui trabalhando em pleno domingo, véspera das minhas férias...
O bom é que a contagem regressiva chega hoje num ponto decisivo. Estou de férias e amanhã tem muita coisa pra fazer, agendada a revisão geral da moto no mecânico, ainda faltam algumas coisas pra comprar pra ela, e pra mim também, colocar vacina de pneu, uma mochila impermeável já que o bauleto não vai dar pra colocar muita coisa, mais alguns equipamentos de segurança pra complementar... etc.
O roteiro ainda está um pouco incerto mas liguei pra os parentes de Coronel Fabriciano e o destino já está definido, gostaria de levar um GPS mas ainda estou controlando os custos pra ver se vai dar, se não o google maps (impresso...) vai ter que resolver.
A expectativa é grande, não é nenhuma viagem transcontinental mas como nosso querido país é grande demais o trajeto que vou fazer equivale seguramente a viagens inter-fronteiras em outros continentes! Sendo aqui, em terras desconhecidas pra mim mas ainda assim comuns, a tranquilidade aumenta e a expectativa deixa de ser recheada com tanta incerteza que caracteriza as aventuras, mas se colore de um ar de desafio tão grande quanto já que aventura em suma é desafiar os próprios limites, sejam eles de possibilidades ou coragem, e seguir em frente rumo a dificuldade, aos obstáculos, e voltar.
Na volta é que todo o esforço faz sentido e é essa volta que busco.
O bom é que a contagem regressiva chega hoje num ponto decisivo. Estou de férias e amanhã tem muita coisa pra fazer, agendada a revisão geral da moto no mecânico, ainda faltam algumas coisas pra comprar pra ela, e pra mim também, colocar vacina de pneu, uma mochila impermeável já que o bauleto não vai dar pra colocar muita coisa, mais alguns equipamentos de segurança pra complementar... etc.
O roteiro ainda está um pouco incerto mas liguei pra os parentes de Coronel Fabriciano e o destino já está definido, gostaria de levar um GPS mas ainda estou controlando os custos pra ver se vai dar, se não o google maps (impresso...) vai ter que resolver.
A expectativa é grande, não é nenhuma viagem transcontinental mas como nosso querido país é grande demais o trajeto que vou fazer equivale seguramente a viagens inter-fronteiras em outros continentes! Sendo aqui, em terras desconhecidas pra mim mas ainda assim comuns, a tranquilidade aumenta e a expectativa deixa de ser recheada com tanta incerteza que caracteriza as aventuras, mas se colore de um ar de desafio tão grande quanto já que aventura em suma é desafiar os próprios limites, sejam eles de possibilidades ou coragem, e seguir em frente rumo a dificuldade, aos obstáculos, e voltar.
Na volta é que todo o esforço faz sentido e é essa volta que busco.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Controle dos gastos com a moto
Pensando em ter um controle geral dos gastos, com a viagem principalmente, em termos de combustível, revisão e eventualidades com a moto procurei na net uma planilha que fizesse isso de forma simplificada, como não achei nenhuma completa acabei pegando umas ideias de uma e outra e montei uma planilha no excel que me possibilita ter um histórico da moto e do custo geral dela, tanto com combustível como com manutenção e peças gerais, de forma que pode-se saber quanto custa a moto ao longo do tempo e qual o custo por km tanto de combustível como de manutenção.
Já que não achei nada parecido na net coloco a disposição de quem quiser usar, pra fazer o download é só clicar AQUI
Já que não achei nada parecido na net coloco a disposição de quem quiser usar, pra fazer o download é só clicar AQUI
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Viagens
De ontem pra cá fiquei me lembrando das minhas poucas experiências com a moto na estrada, especialmente da primeira vez com a DT180, uns 3 meses depois de comprá-la fui do abc até Sorocaba, 250km ida e volta. Primeira moto, primeira viagem, primeiro susto! Abasteci ao sair daqui e pelas contas dava pra ir e voltar, só não sabia que a DT na estrada bebe muito mais que na cidade... na volta a noite num trecho da castelo sem nada... acaba a gasolina. Torneira pra reserva, velocidade máxima de 50km/h e fui orando pra aparecer um posto. Graças a Deus rodei uns 40km só até aparecer um, mas ficou a experiência, nunca mais vacilar com combustível! Apesar dessa DT ter muitos km de estrada, meu amigo antigo dono já tinha ido duas vezes ao pantanal sozinho com ela entre várias outras viagens longas, eu nuca mais peguei estrada nela, rs.
Depois dessa algumas outras curtas, com a segunda CB pro litoral algumas vezes, aí já tinha cnh e fui tranquilo, com a Kasinski tb pro litoral, algumas esticadas na Índio Tibiriçá até Suzano na CB, na Kasinski e na Intruder, duas vezes pra Campos do Jordão com meu já ido irmão, uma vez pra Monte Verde na Tornado que era dele, mais algumas pra Itú e Sorocaba, de São Carlos pra cá qdo fui buscar a Sahara e uma pra Bragança há 10 dias. Há claro, a mais longa delas não pode ficar de fora, um bate-volta em Parati com meu cunhado, ele numa Vblade e eu com a Intruderzinha, foram 680km ida e volta num dia, meu recorde por enquanto! hehe
Quando falo em viajar de moto a frase que mais ouço é: "Você é louco!" O que não seria surpresa não fora o fato que ultimamente tenho ouvido muito isso de amigos que são motociclista tb... Vai entender... Eu poderia discorrer como muitos já fizeram sobre o prazer da viagem sem proteção e sentindo o vento no rosto, sobre a interação do homem com o cenário, sobre o espírito de aventura que nos faz sair e o sentimento de realização que temos ao voltar... Mas quero me ater por poucas linhas a um único aspecto: a solidão.
Viajar de moto, seja com garupa, com várias motos ou sozinho te proporciona algo que nenhum outro modo oferece, o momento. A enorme e rara oportunidade de estar só, com seus pensamentos, com a paisagem, com a estrada. Mas ao mesmo tempo é estar integrado, é fazer parte, é ter compania e cumplicidade sem a necessidade da conversa, da fala. Se a viagem é com companheiros em várias motos, a fala é suprimida mas lá está nítido e patente o companheirismo dos amigos unidos pelo destino e pela paixão, não há necessidade de falar, apenas de compartilhar o momento. Se está com garupa, a cumplicidade no propósito e no destino não deixam que o silêncio seja incômodo e a ausência da fala permite aos dois curtir a solidão estando juntos, ter as próprias impressões e sensações mesmo compartilhando o momento. O estar só se resume ao momento que leva inexoravelmente à introspecção, regada pela riqueza da paisagem, da estrada, dos kilômetros vencidos, das sensações que só a moto proporciona, do vento e do frio que emolduram esse quadro indescritível, mas absolutamente marcante.
O momento solidão. Esse talvez seja a maior riqueza proporcionada pela viagem de moto e que nós, loucos que fazemos isso, conscientemente ou não nos apoderamos cada vez que enchemos o tanque e deixamos pra trás nossa casa com milhares, centenas ou apenas dezenas de kilômetros à frente.
Depois dessa algumas outras curtas, com a segunda CB pro litoral algumas vezes, aí já tinha cnh e fui tranquilo, com a Kasinski tb pro litoral, algumas esticadas na Índio Tibiriçá até Suzano na CB, na Kasinski e na Intruder, duas vezes pra Campos do Jordão com meu já ido irmão, uma vez pra Monte Verde na Tornado que era dele, mais algumas pra Itú e Sorocaba, de São Carlos pra cá qdo fui buscar a Sahara e uma pra Bragança há 10 dias. Há claro, a mais longa delas não pode ficar de fora, um bate-volta em Parati com meu cunhado, ele numa Vblade e eu com a Intruderzinha, foram 680km ida e volta num dia, meu recorde por enquanto! hehe
Quando falo em viajar de moto a frase que mais ouço é: "Você é louco!" O que não seria surpresa não fora o fato que ultimamente tenho ouvido muito isso de amigos que são motociclista tb... Vai entender... Eu poderia discorrer como muitos já fizeram sobre o prazer da viagem sem proteção e sentindo o vento no rosto, sobre a interação do homem com o cenário, sobre o espírito de aventura que nos faz sair e o sentimento de realização que temos ao voltar... Mas quero me ater por poucas linhas a um único aspecto: a solidão.
Viajar de moto, seja com garupa, com várias motos ou sozinho te proporciona algo que nenhum outro modo oferece, o momento. A enorme e rara oportunidade de estar só, com seus pensamentos, com a paisagem, com a estrada. Mas ao mesmo tempo é estar integrado, é fazer parte, é ter compania e cumplicidade sem a necessidade da conversa, da fala. Se a viagem é com companheiros em várias motos, a fala é suprimida mas lá está nítido e patente o companheirismo dos amigos unidos pelo destino e pela paixão, não há necessidade de falar, apenas de compartilhar o momento. Se está com garupa, a cumplicidade no propósito e no destino não deixam que o silêncio seja incômodo e a ausência da fala permite aos dois curtir a solidão estando juntos, ter as próprias impressões e sensações mesmo compartilhando o momento. O estar só se resume ao momento que leva inexoravelmente à introspecção, regada pela riqueza da paisagem, da estrada, dos kilômetros vencidos, das sensações que só a moto proporciona, do vento e do frio que emolduram esse quadro indescritível, mas absolutamente marcante.
O momento solidão. Esse talvez seja a maior riqueza proporcionada pela viagem de moto e que nós, loucos que fazemos isso, conscientemente ou não nos apoderamos cada vez que enchemos o tanque e deixamos pra trás nossa casa com milhares, centenas ou apenas dezenas de kilômetros à frente.
terça-feira, 20 de julho de 2010
A moto
Minha história com as motos não começou na infância como a maioria dos amantes dessa máquinas "feitas pra cair", eu sempre admirei mas nunca fanaticamente. Confesso que algumas dessas máquinas povoavam minha imaginação durante a adolescência enquanto seus roncos faziam uma vibrante trilha sonora, a CBX750 era uma delas. Mas a CB400 fazia meus ouvidos a reconhecerem antes mesmo dos olhos, ronco inconfundível desde que a vi do meu lado aos 15 anos pela primeira vez.
Mas foi só aos 24 anos que comprei minha primeira moto, meio de brincadeira conversando com um amigo depois de terminado o culto na igreja:
- Legal essa sua moto, tou pensando em comprar uma.
- É mesmo? Eu tou querendo vender a minha... tou pedindo 1000 reais.
-Sério? Pô! É minha! Vc me empresta o capacete até eu comprar um? Como passa marcha???
Com essa DT rodei por algum tempo sem carta, mas acabei aprendendo na marra, já que cruzava Sp pra ir trabalhar todo dia, em um mês andava junto com os motoboys corredor afora!...
Depois dessa DT foram três CBs 400, duas XR200, uma Kasinski Cruise II, uma Intruder 125 e a atual Nx350, a Sahara. Nesses 10 anos de moto a paixão foi crescendo, a maturidade chegando com a idade e alguns tombos, a necessidade entrando em acordo com a vontade de moto grande, e a vivência com a cidade despertando a atenção da estrada... Mas viagens mesmo foram poucas, todas curtas, até hoje a mais longa foi um bate-volta em Parati-Rj que deu 680km.
Agora completando 10 anos de motociclismo, e a compra da nova companheira sahara, estou prestes a colocar em prática um planos que venho acalentando há muito tempo: uma viagem longa de moto, sozinho já que encontrar amigos pra isso não é fácil. Longa obviamente para os meus padrões atuais, que se Deus quiser serão brevemente ampliados! E esse é o propósito inicial desse blog, compartilhar a experiência, eu e a moto, a estrada a frente, destino definido, trajeto nem tanto, distância programada 2500km, possivelmente "estendíveis".
Então convido vocês amigos de motociclismo a me acompanharem nessa primeira aventura.
Mas foi só aos 24 anos que comprei minha primeira moto, meio de brincadeira conversando com um amigo depois de terminado o culto na igreja:
- Legal essa sua moto, tou pensando em comprar uma.
- É mesmo? Eu tou querendo vender a minha... tou pedindo 1000 reais.
-Sério? Pô! É minha! Vc me empresta o capacete até eu comprar um? Como passa marcha???
Com essa DT rodei por algum tempo sem carta, mas acabei aprendendo na marra, já que cruzava Sp pra ir trabalhar todo dia, em um mês andava junto com os motoboys corredor afora!...
Depois dessa DT foram três CBs 400, duas XR200, uma Kasinski Cruise II, uma Intruder 125 e a atual Nx350, a Sahara. Nesses 10 anos de moto a paixão foi crescendo, a maturidade chegando com a idade e alguns tombos, a necessidade entrando em acordo com a vontade de moto grande, e a vivência com a cidade despertando a atenção da estrada... Mas viagens mesmo foram poucas, todas curtas, até hoje a mais longa foi um bate-volta em Parati-Rj que deu 680km.
Agora completando 10 anos de motociclismo, e a compra da nova companheira sahara, estou prestes a colocar em prática um planos que venho acalentando há muito tempo: uma viagem longa de moto, sozinho já que encontrar amigos pra isso não é fácil. Longa obviamente para os meus padrões atuais, que se Deus quiser serão brevemente ampliados! E esse é o propósito inicial desse blog, compartilhar a experiência, eu e a moto, a estrada a frente, destino definido, trajeto nem tanto, distância programada 2500km, possivelmente "estendíveis".
Então convido vocês amigos de motociclismo a me acompanharem nessa primeira aventura.
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