Bom, 7 meses se passaram desde a última, primeira e saudosa aventura na Sahara e agora estou aqui novamente, com a mochila pronta bauleto carregado e pronto pra outra!
Dessa vez o destino é Unaí-MG, fica quase na divisa de Goiás/Brasília, o que deve dar uns 1100km de estrada, de lá talvez faça o mesmo roteiro da última viagem e passe por goiânia, se tudo correr bem vão mais 3mil km nessa 2º viagem longa com a Sassa.
Postagem pronta vou dormir pra descansar pq pretendo sair de casa as 2hs da manhã, daqui a pouco, e até as 17 estar numa boa proza mineira!
Que Deus me acompanhe!
Moto no Caminho
Um espaço pra divagar, sobre viagens de moto, sobre lugares, pensamentos soltos, sobre Deus e sobre motos.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
"Novidades"
Já faz um tempo que não posto no blog, é verdade, mas inicialmente ele surgiu como forma de compartilhar principalmente a minha pequena aventura na Shaara, uma vez cumprido seu propósito...
Bem mas retomo as postagens por conta de um assunto que muito despertou meu interesse nos últimos meses: a nova Yamaha Ténéré 250.
É impressionante a ansiedade que o mercado, através dos meios de comunicação, aguardou ansioso o lançamento dessa nova concorrente da tão nova e já consagrada Honda XRE300, ansiedade da qual eu compartilhei é claro. Mas eis que vem a Yamaha e coloca no mercado com toda a pompa e mistérios pré-lançamento... uma Lander com vestido de estrada. Só.
Assim como eu a maioria dos motociclistas que conheço viu a ansiedade ser frustrada pela apresentação de um produto aquém do que esperava. Como um monte de gente deve ter feito li o que pude sobre ela, no começo do mês comprei a revista Motociclismo pra ter a 1ª matéria oficial sobre a bbzinha da família Ténéré, e vi sem muita surpresa que a opinião da revista era a mesma que a nossa: frustração. Como disse a revista no máster test: “ Olha o contra-ataque da Yamaha, o zagueiro despacha, o atacante tira a zaga, limpa o goleiro, olha a chance, chutooooou... na trave!”
A Yamaha inovou com Fazer/Lander principalmente no motor, 249cc injetado, tecnologia embarcada e durabilidade juntas, a Honda demorou mas deu o troco com seu motor de 300cc e desempenho superior. A Yamaha demora mais de um ano pra responder e lança um produto com design inovador, proposta inovadora pra marca nessa faixa de cilindrada, e coloca a mesma alma envelhecida do passado, ainda inferior à concorrente que pretensamente quer desbancar...
Mas o que me chamou atenção e motivou essa postagem foi a matéria sobre a mesma moto feita pela revista Duas Rodas que comprei ontem. Parece que as duas revistas falam de motos diferentes tal a disparidade entre as opiniões. Na Duas Rodas só elogios e se eu tivesse lido apenas ela corria pra concessionária hoje mesmo!
Fica aí os meus parabéns à Motociclismo e sua imparcialidade, ao teste completo e comparação justa com as concorrentes, inclusive as da própria Yamaha, XTZ250X e Lander que continuam em linha, demonstrando em medições claras que a novíssima Ténéré 250 perde pra irmãzinha Lander em aceleração, retomada, velocidade final e consumo, ganhando apenas em distância de frenagem. Bola fora da Duas Rodas que "estimou" a vitória da Ténéré em todos os aspectos.
Mas enfim... esse é o nosso mercado e essa a visão que as gigantes japonesas têm de nós não é?
Bem mas retomo as postagens por conta de um assunto que muito despertou meu interesse nos últimos meses: a nova Yamaha Ténéré 250.
É impressionante a ansiedade que o mercado, através dos meios de comunicação, aguardou ansioso o lançamento dessa nova concorrente da tão nova e já consagrada Honda XRE300, ansiedade da qual eu compartilhei é claro. Mas eis que vem a Yamaha e coloca no mercado com toda a pompa e mistérios pré-lançamento... uma Lander com vestido de estrada. Só.
Assim como eu a maioria dos motociclistas que conheço viu a ansiedade ser frustrada pela apresentação de um produto aquém do que esperava. Como um monte de gente deve ter feito li o que pude sobre ela, no começo do mês comprei a revista Motociclismo pra ter a 1ª matéria oficial sobre a bbzinha da família Ténéré, e vi sem muita surpresa que a opinião da revista era a mesma que a nossa: frustração. Como disse a revista no máster test: “ Olha o contra-ataque da Yamaha, o zagueiro despacha, o atacante tira a zaga, limpa o goleiro, olha a chance, chutooooou... na trave!”
A Yamaha inovou com Fazer/Lander principalmente no motor, 249cc injetado, tecnologia embarcada e durabilidade juntas, a Honda demorou mas deu o troco com seu motor de 300cc e desempenho superior. A Yamaha demora mais de um ano pra responder e lança um produto com design inovador, proposta inovadora pra marca nessa faixa de cilindrada, e coloca a mesma alma envelhecida do passado, ainda inferior à concorrente que pretensamente quer desbancar...
Mas o que me chamou atenção e motivou essa postagem foi a matéria sobre a mesma moto feita pela revista Duas Rodas que comprei ontem. Parece que as duas revistas falam de motos diferentes tal a disparidade entre as opiniões. Na Duas Rodas só elogios e se eu tivesse lido apenas ela corria pra concessionária hoje mesmo!
Fica aí os meus parabéns à Motociclismo e sua imparcialidade, ao teste completo e comparação justa com as concorrentes, inclusive as da própria Yamaha, XTZ250X e Lander que continuam em linha, demonstrando em medições claras que a novíssima Ténéré 250 perde pra irmãzinha Lander em aceleração, retomada, velocidade final e consumo, ganhando apenas em distância de frenagem. Bola fora da Duas Rodas que "estimou" a vitória da Ténéré em todos os aspectos.
Mas enfim... esse é o nosso mercado e essa a visão que as gigantes japonesas têm de nós não é?
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Mototerapia
Claro que o nome desse blog causou estranheza e muita gente me perguntou o porquê de Cura no Caminho, a curiosidade é normal mas não esperava tanto, então vou tentar explicar rapidamente.
Quem é motociclista já ouviu em algum momento alguém usar o termo mototerapia ou apenas dizer que andar de moto faz bem, eu confesso que quando estou de bobeira adoro andar de moto, quando estou meio estressado também e justamente por quê isso me faz bem, dá uma espairecida, leva os pensamentos pra outra direção, outro foco, e isso ajuda a simplesmente reorganizar, aterrizar como diriam alguns. Na verdade a mistura de sensações proporcionada pela motocicleta em determinados momentos se assemelham a uma terapia mesmo, aquela sessão onde você não expõe os seus sentimentos mas deixa eles fluírem enquanto ouve alguém falar, ouve uma música, assiste um bom filme mas, indo além, a moto alia a isso a descarga de adrenalina, de emoção proporcionada pelo movimento dependente das leis da física que nos mantém em equilíbrio sobre as duas rodas, somadas logicamente à necessidade de controle sobre a máquina, uma máquina que dita os seus limites tão longe quanto os limites do próprio piloto. E isso é um momento de concentração mas também de descontração, enquanto concentra-se na máquina e no movimento, desconcentra-se dos problemas, das preocupações. É como se a vida em seu cotidiano desse uma pausa em respeito ao controle da máquina, e em troca tem um momento de introspecção e reflexão capazes de realimentar as baterias para o dia a dia.
De cura todos precisamos, o tempo todo. Seja no corpo, seja na alma. Naquele um tanto, nessa quase sempre mais. Naquele toma remédio e acaba se adaptando, nessa ou se enfrenta e cura ou se deixa de viver. Às vezes nossos caminhos nos levam a dores que nos incomodam, mas eles também estão nos levando a curas das quais precisamos, as vezes pra concertar um defeito é necessário quebrar de novo o que foi mal curado, as vezes o caminho que trilhamos e que parece ser de dor está nos levando a uma cura maior, cura de que as vezes nem temos consciência de precisar.
O caminho da cura é o caminho que trilhamos em nossa vida. E alguns felizardos como eu o fazem, pelo menos em parte, em cima de uma moto.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
A viagem – providências
Como alguns amigos perguntaram acho que vale descrever os preparativos e as providências que tomei para a viagem, não tenho muita experiência mas li bastante coisa na net em blogs de outros companheiros de estrada, e tomei alguns cuidados na hora de preparar as coisas pra pegar estrada, torcendo pra tudo dar certo... e deu, graças a Deus!
A primeira providência óbvia foi submeter a moto a avaliação de um mecânico pra saber as condições, e revisar o que fosse necessário. A Sahara me surpreendeu nesse aspecto, JC obrigado por ter cuidado tão bem dela, foi necessário a troca dos rolamentos da roda traseira, engraxamento da suspensão traseira, lubrificação dos cabos de acelerador e embreagem já que aparentavam estar muito bons, troca de óleo e filtro, verificação dos freios, troquei o pneu dianteiro que estava no osso já, o traseiro é um Michelin sirac meia vida então fui tranqüilo. Falando deles mandei aplicar a vacina de pneus, como precaução extra ainda levei um spray reparador de pneus que enche dois pneus e promete reparar o furo enquanto enche. O recomendado seria ter levado duas câmeras e as ferramentas necessárias pra realizar a troca emergencial, assim como cabos extras de acelerador e embreagem mas não tive problemas com isso durante o trajeto.
Falando das ferramentas levei o kit original da moto, mais chaves das mesmas medidas e de qualidade melhor, alicates, chaves Allen, lanterna, fita isolante, canivete, tesoura, chaves fenda e Philips, lubrificante pra corrente de transmissão, e uma garrafinha com óleo de motor pra completar no caminho. Motores consomem óleo, é bom lembrar...
Pra bagagem comprei na general, centro de SP, uma mochila grande qu não é totalmente impermeável mas vem com uma prática capa de chuva escondida na parte de baixo, coube todas as minha trocas de roupa e sobrou espaço pra mais umas tralhas. Coloquei o bauleto no bagageiro da Sahara pra levar ferramentas, capa de chuva, luva, balaclava, o netbook muito bem acondicionado, mais uma ou outra coisinha que faltou. A câmera fotográfica, óculos e carteira foram devidamente acondicionados em uma prática mala de tanque improvisada, ao ver os 250 pedidos por uma nas lojas, as mulheres da minha vida deram um jeito rápido, rsrs, lancheira de criança, não é 100% impermeável mas dá um adianto, elásticos largos, 4 ganchos da aranha de prender capacete, silicone na parte interna das costuras, e uma touca de hidratação de cabeleireira, ela é de um plástico resistente e transparente, pra envolver a bolsa em caso de chuva. Custo total de 35 reais.
Infelizmente não posso atestar a impermeabilidade já que não peguei uma gota de chuvas nos 9 dias de viagem, mas a praticidade ficou 100%, principalmente na hora dos abastecimentos e tirar as fotos na estrada!
A roupa consistiu na velha e surrada calça jeans, uma calça de lã pra usar por baixo, camiseta leve, uma blusa de lã justa, uma blusa de agasalho tb justa e a jaqueta semi-impermeável da HLX com proteções que tenho, não é uma Tutto mas já me livrou em uma queda. Luva impermeável e bota da Quechua, é uma de trakking impermeável, não muito cara e muito confortável.
O roteiro é parte importante, mas como ia pra casa de parentes e amigos não dei muita atenção a isso antes. Em caso de ir pra lugares que não conheço com certeza esse vai ser dos detalhes mais importantes da preparação.
Como lembrado pelo meu amigo JC faltaram os protetores auriculares que minimizariam o barulho de vento, mas lembrar de todos os detalhes é difícil e esse fica pra próxima!
A primeira providência óbvia foi submeter a moto a avaliação de um mecânico pra saber as condições, e revisar o que fosse necessário. A Sahara me surpreendeu nesse aspecto, JC obrigado por ter cuidado tão bem dela, foi necessário a troca dos rolamentos da roda traseira, engraxamento da suspensão traseira, lubrificação dos cabos de acelerador e embreagem já que aparentavam estar muito bons, troca de óleo e filtro, verificação dos freios, troquei o pneu dianteiro que estava no osso já, o traseiro é um Michelin sirac meia vida então fui tranqüilo. Falando deles mandei aplicar a vacina de pneus, como precaução extra ainda levei um spray reparador de pneus que enche dois pneus e promete reparar o furo enquanto enche. O recomendado seria ter levado duas câmeras e as ferramentas necessárias pra realizar a troca emergencial, assim como cabos extras de acelerador e embreagem mas não tive problemas com isso durante o trajeto.
Falando das ferramentas levei o kit original da moto, mais chaves das mesmas medidas e de qualidade melhor, alicates, chaves Allen, lanterna, fita isolante, canivete, tesoura, chaves fenda e Philips, lubrificante pra corrente de transmissão, e uma garrafinha com óleo de motor pra completar no caminho. Motores consomem óleo, é bom lembrar...
Pra bagagem comprei na general, centro de SP, uma mochila grande qu não é totalmente impermeável mas vem com uma prática capa de chuva escondida na parte de baixo, coube todas as minha trocas de roupa e sobrou espaço pra mais umas tralhas. Coloquei o bauleto no bagageiro da Sahara pra levar ferramentas, capa de chuva, luva, balaclava, o netbook muito bem acondicionado, mais uma ou outra coisinha que faltou. A câmera fotográfica, óculos e carteira foram devidamente acondicionados em uma prática mala de tanque improvisada, ao ver os 250 pedidos por uma nas lojas, as mulheres da minha vida deram um jeito rápido, rsrs, lancheira de criança, não é 100% impermeável mas dá um adianto, elásticos largos, 4 ganchos da aranha de prender capacete, silicone na parte interna das costuras, e uma touca de hidratação de cabeleireira, ela é de um plástico resistente e transparente, pra envolver a bolsa em caso de chuva. Custo total de 35 reais.
Infelizmente não posso atestar a impermeabilidade já que não peguei uma gota de chuvas nos 9 dias de viagem, mas a praticidade ficou 100%, principalmente na hora dos abastecimentos e tirar as fotos na estrada!A roupa consistiu na velha e surrada calça jeans, uma calça de lã pra usar por baixo, camiseta leve, uma blusa de lã justa, uma blusa de agasalho tb justa e a jaqueta semi-impermeável da HLX com proteções que tenho, não é uma Tutto mas já me livrou em uma queda. Luva impermeável e bota da Quechua, é uma de trakking impermeável, não muito cara e muito confortável.
O roteiro é parte importante, mas como ia pra casa de parentes e amigos não dei muita atenção a isso antes. Em caso de ir pra lugares que não conheço com certeza esse vai ser dos detalhes mais importantes da preparação.
Como lembrado pelo meu amigo JC faltaram os protetores auriculares que minimizariam o barulho de vento, mas lembrar de todos os detalhes é difícil e esse fica pra próxima!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A moto (2ª parte)
Agora sim, de volta a vida, a realidade. Faculdade, trabalho, dia-a-dia, meu baby no fim de semana, namorada e, claro, a igreja. Sem ela não dá pra ficar, é lá que me sinto mais perto do Pai no sentido de esforço meu em buscá-lo.
Já um tanto recuperado do cansaço, mas ainda inebriado pela realização, me dispus a contabilizar a viagem, foram exatos 3.172km percorridos, 145 litros de gasolina que somaram R$ 371,00 e 2l de óleo de motor por R$ 24,00 no interior de Minas, a Sahara fez média de 21,76 km/l, o que foi um bom consumo se considerar que mantive velocidade de cruzeiro entre 110 e 120 km/h a maior parte do caminho. Claro que somei apenas os gastos da moto e não os meus próprios, esses devem ter ficado em torno de R$ 100,00 durante o trajeto com alimentação e os pedágios da Fernão Dias (55 centavos cada...), com certeza não passou disso já que não dormi na estrada em nenhum momento e isso eliminou os gastos com hospedagem.
Analisando mais calmamente, a Sahara demonstrou ser uma escolha bem acertada para a proposta que eu tenho de uso, dia-a-dia na cidade e algumas viagens de vez enquanto sem me preocupar muito com o terreno, uma moto com esse perfil, que fosse acessível pra comprar e manter realmente é difícil e não se tem muitas opções, optei por ela e não me arrependi em nada.
Paguei barato, é uma moto muito robusta, dá pra manter no cotidiano sem muitos problemas e atende perfeitamente a minha necessidade. Claro que estando a 130km/h na BR-040 sem nenhum carro à vista, retas longas sucedidas por curvas suaves e num asfalto muito bom me deram muita vontade estar com uma moto maior, com mais motor, mas ela me surpreendeu pelo bom desempenho aliado ao consumo satisfatório para a idade e tecnologia antiga. Algumas coisas decepcionaram também, a proteção aerodinâmica oferecida pela carenagem é boa a ponto de ser possível soltar uma das mãos do guidão a 120km/h sem o menor perigo, mas a bolha pequena joga todo o vento em cima do capacete e, como o meu não é um bom modelo, o barulho do vento torna-se extremamente incômodo depois de poucos quilômetros.
A estabilidade dela também surpreende, permite uma tocada forte pra categoria dela com total segurança, nas curvas da BH-Vitória sofri bastante por conta do asfalto muito irregular e as curvas muito fechadas e sucessivas, que deixavam a impressão de suspensão mole demais e que ia sair da curva a qualquer momento, mas confesso que o desconhecimento da estrada somado à minha pouca habilidade em pilotagem ajudaram a encontrar o meu limite muito antes do limite da moto. Melhor pra mim que me mantive inteiro até a volta! Os sustos foram apenas dois: em uma dessas curvas com a moto bem deitada e quase me sentindo um piloto, apesar da baixa velocidade a curva era fechada e bem longa exigindo muita inclinação, dei de cara com dois caminhões lado a lado no meio de uma ultrapassagem, em local proibido claro, impedindo completamente minha passagem, foi o tempo de endireitar a moto e frear, e haja paciência até o bendito caminhão terminar de ultrapassar a carreta em pela subida pra eu continuar o caminho. O outro foi durante a mesma subida de serra, um tiozinho num corsa pressionado pelo farol alto do cara de trás resolveu dar passagem sem notar que eu estava na pista ao lado, freio, buzina e o susto do tiozinho. Graças a Deus nada demais!
Já um tanto recuperado do cansaço, mas ainda inebriado pela realização, me dispus a contabilizar a viagem, foram exatos 3.172km percorridos, 145 litros de gasolina que somaram R$ 371,00 e 2l de óleo de motor por R$ 24,00 no interior de Minas, a Sahara fez média de 21,76 km/l, o que foi um bom consumo se considerar que mantive velocidade de cruzeiro entre 110 e 120 km/h a maior parte do caminho. Claro que somei apenas os gastos da moto e não os meus próprios, esses devem ter ficado em torno de R$ 100,00 durante o trajeto com alimentação e os pedágios da Fernão Dias (55 centavos cada...), com certeza não passou disso já que não dormi na estrada em nenhum momento e isso eliminou os gastos com hospedagem.
Analisando mais calmamente, a Sahara demonstrou ser uma escolha bem acertada para a proposta que eu tenho de uso, dia-a-dia na cidade e algumas viagens de vez enquanto sem me preocupar muito com o terreno, uma moto com esse perfil, que fosse acessível pra comprar e manter realmente é difícil e não se tem muitas opções, optei por ela e não me arrependi em nada.
Paguei barato, é uma moto muito robusta, dá pra manter no cotidiano sem muitos problemas e atende perfeitamente a minha necessidade. Claro que estando a 130km/h na BR-040 sem nenhum carro à vista, retas longas sucedidas por curvas suaves e num asfalto muito bom me deram muita vontade estar com uma moto maior, com mais motor, mas ela me surpreendeu pelo bom desempenho aliado ao consumo satisfatório para a idade e tecnologia antiga. Algumas coisas decepcionaram também, a proteção aerodinâmica oferecida pela carenagem é boa a ponto de ser possível soltar uma das mãos do guidão a 120km/h sem o menor perigo, mas a bolha pequena joga todo o vento em cima do capacete e, como o meu não é um bom modelo, o barulho do vento torna-se extremamente incômodo depois de poucos quilômetros.A estabilidade dela também surpreende, permite uma tocada forte pra categoria dela com total segurança, nas curvas da BH-Vitória sofri bastante por conta do asfalto muito irregular e as curvas muito fechadas e sucessivas, que deixavam a impressão de suspensão mole demais e que ia sair da curva a qualquer momento, mas confesso que o desconhecimento da estrada somado à minha pouca habilidade em pilotagem ajudaram a encontrar o meu limite muito antes do limite da moto. Melhor pra mim que me mantive inteiro até a volta! Os sustos foram apenas dois: em uma dessas curvas com a moto bem deitada e quase me sentindo um piloto, apesar da baixa velocidade a curva era fechada e bem longa exigindo muita inclinação, dei de cara com dois caminhões lado a lado no meio de uma ultrapassagem, em local proibido claro, impedindo completamente minha passagem, foi o tempo de endireitar a moto e frear, e haja paciência até o bendito caminhão terminar de ultrapassar a carreta em pela subida pra eu continuar o caminho. O outro foi durante a mesma subida de serra, um tiozinho num corsa pressionado pelo farol alto do cara de trás resolveu dar passagem sem notar que eu estava na pista ao lado, freio, buzina e o susto do tiozinho. Graças a Deus nada demais!
domingo, 8 de agosto de 2010
De Goiânia a SBC - 3º dia - A volta
Depois de três dias passeando entre Anápolis e Goiânia, revendo os amigos de tanto tempo, os irmãos de coração que a vida me deu e os lugares que não via há muito, chegou a hora de voltar pra casa.
Acordei as 5:30, uma hora depois do planejado, tomei um suco de açaí no lugar do café, energia pra aumentar as reservas do que precisaria, despedidas e abraços, a promessa de uma nova aventura acompanhados dos meus irmãos goianos, e entrei na BR-153 sentido São Paulo, exatamente as 6 da manhã, o dia clareando pouco antes do sol nascer, o frio já anunciado na madrugada me obrigou a usar mais blusas do que gostaria mas a estrada estava boa e o visual foi suficiente pra desviar minha atenção do vento gelado.
Ver o sol nascer na estrada é uma sensação única, ainda mais nas planícies de Goiás, o colorido das nuvens, a claridade cintilante do céu, a interação da paisagem de vegetação rala, tudo isso passa uma impressão que não tem como descrever com justiça. Claro que cliquei na melhor das boas intenções de capturar o momento, mas o resultado da foto também não fez jus à natureza
Pretendia chegar em casa o quanto antes, já era o 8º dia da viagem, e pra isso mantive um ritmo bom enquanto durou a pista dupla, .
até a divisa GO-MG foi tranquilo, mas cerca de 100km antes de Uberlândia a estrada não só era mão dupla como era ruim a beça, sem acostamento e em obras, o que diminuiu bastante a velocidade média, mas depois voltou a ser duplicada e deu pra manter os 110km/h a maior parte do tempo.

Na divisa MG-SP um dos melhores visuais da viagem, o Rio Grande, de águas azuis parece que ainda livre da poluição, aí entra a Anhanguera e o caminho fica bem tranquilo, demais até, com retas intermináveis e ótima velocidade de cruzeiro, 120km/h na maior parte do tempo com abusos um pouco acima de vez enquando. Aos 500km rodados parei por cerca de uma hora pra almoçar, eram 13hs, as 14 voltei pra estrada na intenção de chegar em casa sem parar novamente a não ser pra abastecer. Por falar nisso o tanque da sahara é uma coisa q me deixou descontente, pede reserva aos 200km rodados e mesmo sabendo que ainda tem uns 3 litros lá não me sinto confortável em rodar com a reserva aberta, o resultado é que abasteci a cada 200km a viagem toda, bem podia ter uma autonomia maior...
Já anoitecendo faltavam ainda mais de 100km, os últimos 100, acabei apertando o ritmo na Bandeirantes e quando percebi estava dando 140km/h na sarita. Cheguei em casa as 7 da noite, depois de 13hs na estrada e 980km rodados, muito cansado e com o corpo dolorido, mas a sensação de chegar em casa depois de 8 dias e 3200km no total é indescritível, a realização é ótima e o desafio vencido faz muito bem pra auto estima!
Durante o caminho de volta não pude deixar de me lembrar do meu irmão Luis, infelizmente já longe de nós há 2 anos, desde que nos mudamos de Goias pra cá ele queria fazer essa viagem, Sp-Goiania, de moto. Não tivemos oportunidade de fazer isso juntos, n foram os motivos mas o principal acho que foi por acharmos que teríamos todo o tempo do mundo pra isso. Não tivemos. Mas essa foi por você mano, tenho certeza que teve uma permissão especial pra me acompanhar pelo menos essa parte do caminho, não foi?
Acordei as 5:30, uma hora depois do planejado, tomei um suco de açaí no lugar do café, energia pra aumentar as reservas do que precisaria, despedidas e abraços, a promessa de uma nova aventura acompanhados dos meus irmãos goianos, e entrei na BR-153 sentido São Paulo, exatamente as 6 da manhã, o dia clareando pouco antes do sol nascer, o frio já anunciado na madrugada me obrigou a usar mais blusas do que gostaria mas a estrada estava boa e o visual foi suficiente pra desviar minha atenção do vento gelado.
Ver o sol nascer na estrada é uma sensação única, ainda mais nas planícies de Goiás, o colorido das nuvens, a claridade cintilante do céu, a interação da paisagem de vegetação rala, tudo isso passa uma impressão que não tem como descrever com justiça. Claro que cliquei na melhor das boas intenções de capturar o momento, mas o resultado da foto também não fez jus à natureza
Pretendia chegar em casa o quanto antes, já era o 8º dia da viagem, e pra isso mantive um ritmo bom enquanto durou a pista dupla, .
Na divisa MG-SP um dos melhores visuais da viagem, o Rio Grande, de águas azuis parece que ainda livre da poluição, aí entra a Anhanguera e o caminho fica bem tranquilo, demais até, com retas intermináveis e ótima velocidade de cruzeiro, 120km/h na maior parte do tempo com abusos um pouco acima de vez enquando. Aos 500km rodados parei por cerca de uma hora pra almoçar, eram 13hs, as 14 voltei pra estrada na intenção de chegar em casa sem parar novamente a não ser pra abastecer. Por falar nisso o tanque da sahara é uma coisa q me deixou descontente, pede reserva aos 200km rodados e mesmo sabendo que ainda tem uns 3 litros lá não me sinto confortável em rodar com a reserva aberta, o resultado é que abasteci a cada 200km a viagem toda, bem podia ter uma autonomia maior...
Já anoitecendo faltavam ainda mais de 100km, os últimos 100, acabei apertando o ritmo na Bandeirantes e quando percebi estava dando 140km/h na sarita. Cheguei em casa as 7 da noite, depois de 13hs na estrada e 980km rodados, muito cansado e com o corpo dolorido, mas a sensação de chegar em casa depois de 8 dias e 3200km no total é indescritível, a realização é ótima e o desafio vencido faz muito bem pra auto estima!
Durante o caminho de volta não pude deixar de me lembrar do meu irmão Luis, infelizmente já longe de nós há 2 anos, desde que nos mudamos de Goias pra cá ele queria fazer essa viagem, Sp-Goiania, de moto. Não tivemos oportunidade de fazer isso juntos, n foram os motivos mas o principal acho que foi por acharmos que teríamos todo o tempo do mundo pra isso. Não tivemos. Mas essa foi por você mano, tenho certeza que teve uma permissão especial pra me acompanhar pelo menos essa parte do caminho, não foi?
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
De Cel. Fabriciano a Anápolis - 2º dia
As 6:45 da manhã e 60km rodados fiquei preso no trânsito parado antes mesmo de chegar na 381 que vem de Vitória a BH, dois caminhões bateram e a pista foi interrompida até removerem a carga e a carreta, nem moto passou por mais de 1h. Já atrasado só cheguei em BH as 10 da manhã, durante boa parte do tempo acompanhando uma Buel que tinha um dono bem tranquilo, apesar do monte de curvas instigarem a pilotagem, tb dão medo pela quantidade de caminhões e nosso ritmo ficou igual...
Abasteci e enveredei pela 040 sentido Brasília, é impressionante como a paisagem muda logo no início dela e o clima do planalto com a vegetação mais próxima de serrado aparece. A tranquilidade veio logo depois dos primeiros 100km da 040, com a perda da duplicação, mas uma diminuição drástica do número de veículos! Teve trecho onde fiquei mais de 20min sem passar por ngm a não ser em sentido contrário.
Mas a solidão tem seu encanto e me senti meio easy rider naquela estrada, destino tinha mas ali era só a estrada, o sol, o vento quente finalmente, e a Sahara guerreira mostrando do que é capaz! Falando nela preciso me retratar, ela é ótima pra estrada sim e em curvas normais ela não deixa nada a dever, as minhas impressões do outro post foram baseadas na estradinha de BH-Vitória e até o povo lá de Fabriciano reclama muito dela, as curvas são coisa de doido mesmo! rs
As paisagens desse trecho são lindas, mas acabei de novo curtindo mais a viagem do que elas e tirei poucas fotos, ainda assim o visual é tão compensador quanto a solidão e o sentimento de aventura que a 040 proporciona. Por duas vezes abasteci a moto já com a reserva aberta por falta de posto de combustível, na última vez rodei exatos 100km entre os dois postos mais próximos, e abri a reserva na metade! Essa hora deu medo de ficar na estrada. Aos 500km rodados parei pra trocar o óleo da moto, somavam 1300 desde a última troca, e almocei já que ia perder um bom tempo pra isso. Comida tipicamente mineira com self direto no fogão de lenha... delícia. As 6 da tarde em Cristalina-GO parando pra abastecer não resisti e comi uma pamonha de verdade, goiana, doce com queijo dentro, ah que saudade estava disso!
Cheguei em Luziânia estava escuro e ainda faltavam 200km, resolvi continuar já que a estrada era boa e depois de passar ao largo de Brasília peguei a 060 e as 9 da noite desliguei a moto na casa de uma amiga em Anápolis, de onde estou postando, foram 15hs e 1051km.
Pra mim um recorde em distancia e tempo, quebrado sem muito esforço já que a Sahara é generosa com o piloto!
O cansaço não foi tão grande, depois de colocar a conversa em dia e tomar um bom banho deu tempo de vir pra net ver os e-mails e fuçar no meu orkut só pra não perder o costume, mas o zunido do vento ainda nos ouvidos tava incomodando o suficiente pra não me deixar atualizar o blog. Fui dormir cansado, ombros e pescoço doloridos, mas com a alma alegre, com a sensação da aventura ainda na mente, uma leve descrença de que estava mesmo aqui, mas feliz pela realização de mais esse sonho..
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