De ontem pra cá fiquei me lembrando das minhas poucas experiências com a moto na estrada, especialmente da primeira vez com a DT180, uns 3 meses depois de comprá-la fui do abc até Sorocaba, 250km ida e volta. Primeira moto, primeira viagem, primeiro susto! Abasteci ao sair daqui e pelas contas dava pra ir e voltar, só não sabia que a DT na estrada bebe muito mais que na cidade... na volta a noite num trecho da castelo sem nada... acaba a gasolina. Torneira pra reserva, velocidade máxima de 50km/h e fui orando pra aparecer um posto. Graças a Deus rodei uns 40km só até aparecer um, mas ficou a experiência, nunca mais vacilar com combustível! Apesar dessa DT ter muitos km de estrada, meu amigo antigo dono já tinha ido duas vezes ao pantanal sozinho com ela entre várias outras viagens longas, eu nuca mais peguei estrada nela, rs.
Depois dessa algumas outras curtas, com a segunda CB pro litoral algumas vezes, aí já tinha cnh e fui tranquilo, com a Kasinski tb pro litoral, algumas esticadas na Índio Tibiriçá até Suzano na CB, na Kasinski e na Intruder, duas vezes pra Campos do Jordão com meu já ido irmão, uma vez pra Monte Verde na Tornado que era dele, mais algumas pra Itú e Sorocaba, de São Carlos pra cá qdo fui buscar a Sahara e uma pra Bragança há 10 dias. Há claro, a mais longa delas não pode ficar de fora, um bate-volta em Parati com meu cunhado, ele numa Vblade e eu com a Intruderzinha, foram 680km ida e volta num dia, meu recorde por enquanto! hehe
Quando falo em viajar de moto a frase que mais ouço é: "Você é louco!" O que não seria surpresa não fora o fato que ultimamente tenho ouvido muito isso de amigos que são motociclista tb... Vai entender... Eu poderia discorrer como muitos já fizeram sobre o prazer da viagem sem proteção e sentindo o vento no rosto, sobre a interação do homem com o cenário, sobre o espírito de aventura que nos faz sair e o sentimento de realização que temos ao voltar... Mas quero me ater por poucas linhas a um único aspecto: a solidão.
Viajar de moto, seja com garupa, com várias motos ou sozinho te proporciona algo que nenhum outro modo oferece, o momento. A enorme e rara oportunidade de estar só, com seus pensamentos, com a paisagem, com a estrada. Mas ao mesmo tempo é estar integrado, é fazer parte, é ter compania e cumplicidade sem a necessidade da conversa, da fala. Se a viagem é com companheiros em várias motos, a fala é suprimida mas lá está nítido e patente o companheirismo dos amigos unidos pelo destino e pela paixão, não há necessidade de falar, apenas de compartilhar o momento. Se está com garupa, a cumplicidade no propósito e no destino não deixam que o silêncio seja incômodo e a ausência da fala permite aos dois curtir a solidão estando juntos, ter as próprias impressões e sensações mesmo compartilhando o momento. O estar só se resume ao momento que leva inexoravelmente à introspecção, regada pela riqueza da paisagem, da estrada, dos kilômetros vencidos, das sensações que só a moto proporciona, do vento e do frio que emolduram esse quadro indescritível, mas absolutamente marcante.
O momento solidão. Esse talvez seja a maior riqueza proporcionada pela viagem de moto e que nós, loucos que fazemos isso, conscientemente ou não nos apoderamos cada vez que enchemos o tanque e deixamos pra trás nossa casa com milhares, centenas ou apenas dezenas de kilômetros à frente.
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